A Eternidade

Ouroboros

Esse símbolo alquímico simboliza o ciclo eterno, o fim e o principio tocam-se num mesmo ponto, simboliza a continuidade da vida. Num antigo manuscrito alquimico vê-se a serpente com metade da cauda preta (a terra, a noite) e metade branca (o céu, a luz). Noutros símbolos utiliza-se um dragão.

 
Todos trazemos no interior  conhecidas dúvidas existenciais: Quem sou eu?…De onde venho…, Para onde vou? O que é o tempo?, etc..
Desde criança transportei várias dúvidas, as quais me levaram a reflectir, a escrever, a procurar a minha espiritualidade, actualmente saciei nela algumas dúvidas mas muitas ainda permaneceram.

A Eternidade é algo sem fim e sem início?
Suponho que se for sem fim e sem início deverá ser cíclica, o fim e o início podem ser o mesmo ponto de partida…Desse modo não há nem inicio nem fim.
Se for algo circular, foi criado de um ponto exterior, alguma entidade Superior externa ao tempo e à Eternidade mas ao mesmo tempo contido neles… Isso remete-me para um Deus, sim existe um Deus…

A Eternidade tal como o Universo é algo que se expande, o que se expande vai alcançando um espaço onde não existia antes, não conheço os limites do Universo mas se ele está em expansão quer dizer que em certos lugares ele não existe ainda mas há-de existir.
Soa um pouco confuso para a nossa consciência humana. Se o universo, assim como o tempo e a Eternidade forem cíclicos (como o símbolo Ouroboros) serão sempre existentes, sem  fim, o ponto de chegada seria o ponto de partida…

Tal como o tempo, existe passado e futuro?
Acredito que existe Presente eterno, sim o que estou fazendo agora é o Presente mas já se tornou  Passado e o futuro é o que farei daqui a instantes…

Se eu for numa estrada, essa linha é o presente, o que está para trás (é o passado) e o futuro é o que tenho pela frente, mas a linha onde caminho é uma só, (o presente infinito)

O presente prolonga-se, mas o tempo pode ser eterno e circular, o presente seria um círculo, o passado é o ponto de partida,  o futuro será o que está em frente, mas ao dar a volta o tempo torna a passar pelo mesmo ponto, talvez aí nós sintamos uma recordação (um déja-vu, sensação de já ter vivenciado algo, de já ter dito ou ouvido essa mesma coisa), talvez nesse ponto crucial o nosso inconsciente possa irromper o tempo e prever o futuro breve (o caso de psíquicos, videntes, profetas).

Os hinuds chamam ao colar de pérolas de reencarnações: "Samsara", é um ciclo de vidas, o déja-vu poderia ser a repetição de um acontecimento (de outra vida) e sentimos que já vivemos aquilo mesmo, para quê a repetição? Para corrigir algum erro passado e se agirmos de modo igual, essa situação irá repetindo-se noutras vidas até o corrigirmos.

Valeu a reflexão, por enquanto nada mais podemos fazer senão opinar sobre o assunto, mas pensar faz-nos ir a horizontes mais Além, talvez um dia se erga o Véu.

Segundo a lei da evolução, ao longo de muitas reencarnações, muitos milhares de anos serei eu  uma alma mais evoluída, aí  direi para mim sorrindo:
«Era tão simples!.. E eu não percebi o que era a Eternidade!…»

O corpo não é eterno, mas o espírito que o anima é, o espírito é eterno, o que dá vida e força ao espírito é o pensamento positivo, pensar é existir, pensamento é vida. Sejamos então conscientes de Uma Divindade Superior e assim seremos eternos, rumo ao infinito, em direcção ao Pai Celeste que nos espera lá no Alto.

A Luz ilumina o caminho mas não se acende sozinha, nem encurta as distâncias…

É preciso que darmos o primeiro passo!

Sílvio Guerrinha

3 Comentários

  1. João Martins
    novembro 24, 2005

    Caro Sílvio,

    Gostei muito do seu artigo! Este tema da eternidade e do tempo e da sua relatividade é dos mais apaixonantes e porventura daqueles que nós, seres espirituais encarnados mais dificuldades temos em compreender. Acho mesmo muito complicado ser percebido apenas intelectualmente. Precisamos de desenvolver outras “capacidades” para o conceber. Como dizia Sócrates “só a vida que é questionada merece ser vivida” e “homem conhece-te a ti mesmo”. Acho que ele sintetizou magistralmente o caminho da descoberta, que deve começar por nós mesmos. Lembremo-nos do axioma alquímico “o que está em cima é igual ao que está em baixo” . Hoje vivemos tempos em que tudo o que parece ter valor no mundo está fora de nós, é algo que se adquire, que se possui, mas que, no fundo não faz parte de nós.
    No entanto, cada vez mais as pessoas se tornam insatisfeitas com a vacuidade destes valores e procuram o transcendente, num anseio que não sabem definir mas que sentem que se tem que situar algures no mundo espiritual. Daí o crescente interesse por estas matérias e a redescoberta dos escritos dos antigos por cada vez maior número de pessoas.

    Responder
  2. silvio
    novembro 29, 2005

    Obrigado pelo comentário, João, você expressou-se muito bem e dizendo o essencial.
    Sim, como disse Hermes trimegistus o que está em cima é como o que está em baixo, somos o microcosmo á semelhança do Macrocosmo, cada vez as pessoas buscam mais a espiritualidade…Nem sempre como refúgio desta realidade materialista que nos circunda, mas também para evoluirem um pouco ou procurarem conforto, a vivência espiritual enriquece-nos a todos e traz-nos força interior…
    Ajuda-nos a vencer as inúmeras batalhas da vida.

    abraço

    Responder
  3. silvio
    dezembro 23, 2005

    FELIZ NATAL A TODOS

    Responder

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